Economia Titulo Previdência

Garibaldi quer reduzir
teto dos servidores

Ministro apresentará nesta quarta-feira proposta que diminui
aposentadoria de novos funcionários federais para R$ 3,7 mil

14/12/2011 | 07:30
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, assumiu a empresários, na Capital, que o sistema previdenciário brasileiro não é adequado ao que o País necessita. E destacou que, hoje, iniciará articulação nos bastidores do Congresso para que sua proposta de reforma previdenciária seja aprovada. "Acredito que passe neste período", disse o ministro.

"Ainda não vim falar da grande reforma da Previdência que o Brasil tem que passar", disse o ministro durante encontro do Grupo de Líderes Empresariais. Reconhecendo que a proposta é o início de algo maior, Garibaldi destacou que um dos pontos que serão apresentados à apreciação dos parlamentares é a redução do teto das aposentadorias dos servidores federais de R$ 26.723,13 para R$ 3.691,74, que é o limite do trabalhador do setor privado e dos funcionários públicos celetistas.

Garibaldi usou cálculos simples para defender suas proposições. Segundo ele, em 2010, a Previdência urbana teve R$ 207,2 bilhões de receitas e R$ 199,4 bilhões em despesas, acarretando superavit de R$ 7,8 bilhões. Por outro lado, a Previdência rural arrecadou R$ 4,8 bilhões e gastou R$ 55,5 bilhões, o que resultou em deficit de R$ 42,9 bilhões. "Mas não é aí o maior cancro", argumentou.

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"Nós temos uma previdência do servidor público federal que tem 960 mil aposentados, mas apresenta deficit de R$ 57 bilhões resultado de 2011)", disse o ministro, alegando que os atuais funcionários públicos não seriam afetados. "Só cabe para aqueles que prestarem concursos depois da aprovação da mudança. Eu vim falar do Brasil de amanhã. Porque o Brasil de hoje já se acomodou. Nossa causa é pelo amanhã."

Garibaldi completou com estimativa do ministério. "Se não estancarmos esse deficit (previdência do servidor federal), ele vai crescer cerca de 10% por ano."

O chefe da Pasta acrescentou que o ministério também fará proposta para a criação de um fundo, ou até três sendo um para cada setor poder, para equilibrar as contas da previdência dos servidores, que terão que contribuir com maior parcela para superar o teto previsto, como os atuais R$ 3.691,74 dos celetistas.

E futuramente, a proposta é de mudança do regime de previdência participativa (em que quatro trabalhadores pagam por um aposentado atual) para modelo equivalente à poupança (no qual a contribuição vai acumulando a sua aposentadoria).

EMPRESARIADO- O presidente da Nestlé, que tem unidade em São Bernardo, Ivan Zurita, interpretou a iniciativa de Garibaldi como positiva. "Já é um começo. Mas seria necessário, junto à reforma previdênciária, mudança nas políticas em geral do governo federal." Zurita destacou que o governo não pode deixar de lado a frente assumida pelo ministro. "Quando vemos luz no fim do túnel, temos que atravessá-lo", destacou.

O empresário Sérgio De Nadai, do Grupo De Nadai e presidente do Lide Solidariedade, gostou da iniciativa de Garibaldi e foi além. "Sugeri que os jovens, no primeiro emprego, sejam isentos de contribuição previdênciária. Assim o empresário economiza, contrata mais jovens e contribui para o ingresso deles no mercado de trabalho." No entanto, ele afirmou que o ministro apenas sorriu em resposta à sua proposta.

 

Empresários apresentam previsão otimista para 2012

 

A expectativa dos empresários para o ano que vem é otimista mesmo com o cenário externo passando por turbulências. Pesquisa Índice Lide - Fundação Getulio Vargas de Clima Empresarial revelou que 74% dos cerca de 200 executivos presentes no encontro com o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, esperam que suas receitas cresçam em 2012. No mês passado o resultado foi de 59%. O percentual que prevê queda no faturamento reduziu de 10%, em novembro, para 4%.

E quem ganha com isso são os trabalhadores. Isso porque 52% dos executivos pretendem manter, hoje, os empregos em suas empresas, contra 43% registrados no mês passado. E as demissões são previstas por 4%, queda de três pontos percentuais em relação ao mês anterior.




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