Mercado O real conta ainda com juros elevados, o que beneficia operações de carry trade, e petróleo valorizado, o que ajuda nos termos de troca, como fatores de apoio
FOTO: Valter Campanato/Agencia Brasil/Arquivo

O dólar seguiu em queda e fechou abaixo de R$ 5,09 nesta segunda-feira (20), marcada pela desvalorização da divisa americana ante moedas emergentes. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha voltado a endurecer o tom contra o Irã à tarde, o fato de Teerã ter confirmado a proposta de mediadores para reduzir as tensões com Washington foi predominante e guiou a interpretação de que há espaço para arrefecimento do conflito.
O real conta ainda com juros elevados, o que beneficia operações de carry trade, e petróleo valorizado, o que ajuda nos termos de troca, como fatores de apoio. Assim, o dólar à vista caiu 0,42%, a R$ 5,0896, e o futuro para agosto recuava 0,50%, a R$ 5,1045, por volta das 17h - em dissonância com o DXY, que mede a divisa americana contra pares fortes e subia 0,18%. No mês, o dólar cai 1,42% e no ano, -7,28%.
Após um agravamento do conflito no Oriente Médio na semana anterior, nesta segunda houve "um enfraquecimento do dólar principalmente contra pares emergentes, justamente pela reação à não escalada das tensões", afirma o gerente da Tesouraria do banco Daycoval, Otávio Oliveira.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que "o fato de mediadores estarem atuando e tentando evitar uma escalada das tensões é real". Ainda assim, o país evitou comentar relatos de que o Catar teria sugerido um cessar-fogo de 10 dias e, nesta tarde, Trump voltou a endurecer o tom ao afirmar que Teerã "pagará muitas vezes" por cada soldado americano morto.
O movimento de escalada e arrefecimento das tensões entre Washington e Teerã já aconteceu várias vezes, observa Oliveira. "Não tem nada muito definitivo com relação à questão Irã e Estados Unidos. Não acharia nem um pouco impossível que daqui um mês ou duas semanas, haja um novo agravamento e, por consequência, daqui um tempinho, um novo cessar-fogo e nova retomada das negociações", avalia.
Como resultado, o petróleo Brent para setembro, referência à Petrobras, subiu 1,27%, a US$ 89,22. Para o especialista em câmbio e sócio da One Investimentos, Matheus Massote, o real é favorecido pela condição do Brasil de exportador líquido de petróleo. "Sempre que o preço do petróleo avança, o Brasil costuma ter mais entrada de dólares, o que valoriza a nossa moeda", comenta.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com exportações crescendo 6,7% no acumulado do mês ante mesmo período de 2025 e sendo puxadas por Indústria Extrativa.
Tanto Massote, da One, quanto Oliveira, do Daycoval, destacam o carry trade via real, com o diferencial de juros elevado do Brasil em relação a outros países. Assim como na sexta-feira, a curva de juros abriu a partir dos vértices intermediários, após o Boletim Focus mostrar que a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2028 subiu de 3,70% para 3,78%. "O número mostra maior incerteza no âmbito fiscal, considerando que o presidente que ganhar as eleições tem o desafio de resolver essa questão complicada. Independente de se o governo será de esquerda ou direita, o Brasil já está com dívida de quase 80% do PIB", afirma o gerente de Tesouraria do Daycoval.
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