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Novo tarifaço imposto por EUA preocupa a indústria da região

Especialistas apontam que siderurgia, metalurgia e setor químico são os mais sensíveis à medida, que pode entrar em vigor em 15 de julho

Beatriz Mirelle
João Vittor Espindula
Especial para o Diário
03/06/2026 | 08:29
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FOTO: Daniel Torok/Official White House
FOTO: Daniel Torok/Official White House Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O USTR (sigla em inglês para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras após concluir que o Brasil adota medidas que “oneram ou restringem” o comércio norte-americano. Em documento apresentado na segunda-feira (1º), o órgão cita preocupações com métodos de pagamento, como Pix; desmatamento ilegal; falhas na aplicação de leis anticorrupção; e pirataria. 

O anúncio já acendeu alerta entre economistas e o setor produtivo nacional para novas retaliações. Isso porque a possibilidade de aumento dos custos para exportação preocupa empresas que mantêm relações comerciais com o mercado norte-americano, especialmente em regiões industrializadas como o Grande ABC. 

As cobranças podem entrar em vigor em 15 de julho. Antes, haverá audiência pública em 6 de julho para debater a proposta com companhias, entidades e representantes do poder público dos EUA.

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No primeiro trimestre deste ano, a região exportou R$ 122.089.251 em produtos para os Estados Unidos – queda de 17,2% em comparação ao mesmo período de 2025, quando contabilizou R$ 147.538.572. O valor entre janeiro e março de 2026 representa 11% do montante (R$ 1.115.561.005) acumulado pelas sete cidades. As informações são do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). 

Em nota divulgada ontem, o Palácio do Planalto comunicou que a apuração dos Estados Unidos é uma tentativa de interferir em assuntos internos. “Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, destacou o comunicado. 

Em 7 de maio, na Casa Branca, em Washington, Lula combinou com Trump de representantes apresentarem em 30 dias medidas para acabar com o tarifaço. 

Segundo o economista Leonardo Baldez Augusto, a principal consequência imediata é o aumento da incerteza para empresas que dependem das exportações. “O empresário consegue lidar com custos mais altos quando as regras são claras. O que prejudica investimentos é não saber qual será a regra do jogo daqui a 30 ou 60 dias.”

Baldez apontou que siderurgia, metalurgia, indústria química, fabricantes de máquinas, equipamentos e componentes industriais tendem a ser os mais sensíveis à medida. 

“São segmentos que competem diretamente no mercado internacional e possuem margens apertadas. Uma tarifa adicional de 25% pode alterar completamente a competitividade dos produtos. O efeito mais preocupante é a redução da capacidade de investimento dessas empresas.”

Na avaliação de Sandro Maskio, professor de economia da Strong Business School, os impactos dependerão dos setores que forem incluídos. “Os principais itens exportados pelo Grande ABC aos Estados Unidos são pneus, produtos da indústria da borracha, munições, produtos da metalurgia do cobre, partes de motores, máquinas e equipamentos. A questão central é saber se a medida atingirá todos eles.”

Carne bovina, café, frutas, nozes, especiarias, petróleo, minérios metálicos e peças de aeronaves ficaram de fora da lista de prejudicados.

O ministro MDIC, Márcio Elias Rosa, ressaltou que os grupos mais expostos às taxas são máquinas e equipamentos industriais; produtos de plástico; calçados; produtos de madeira; papel cartão; ferro fundido; peixes e crustáceos.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) informou que acompanha as movimentações e espera “cooperação entre os dois países para buscar soluções equilibradas”.A decisão do USTR tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974. Não há menção direta ao Pix, mas cita os “serviços de pagamento eletrônico do governo”, que, segundo o escritório, prejudicam empresas e exportações norte-americanas. 

“O Pix faz basicamente as empresas do setor financeiro perderem dinheiro diretamente por não estarem intermediando financeiramente uma negociação, e também perderem informação de venda. Por isso, ele é tão atacado”, analisa o professor de Relações Internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Fabio Andrade. De acordo com os Estados Unidos, os recursos nacionais afetam companhias como MasterCard, Visa e o Whatsapp Pay. 

Lula responsabiliza família Bolsonaro; Flávio rebate

O presidente Lula criticou ontem a proposta de aplicar tarifa geral de 25% sobre itens brasileiros, apresentada pelo USTR (na sigla em inglês para Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), e apontou que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é responsável pela ação do líder norte-americano, Donald Trump. 

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometer nas decisões brasileiras. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?”, disse o petista.

A informação sobre as cobranças foi divulgada depois dos Estados Unidos concluírem investigação sobre o Brasil que cita comércio digital e serviços de pagamento (Pix), desmatamento ilegal, combate à corrupção etc. As novas medidas podem passar a valer a partir de 15 de julho.

“Os meninos do Bolsonaro, um deles que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, no dia em que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos um Magnitsky’’”, comentou Lula. As falas ocorreram durante inauguração da nova sede do Campus Catalão do IF (Instituto Federal) Goiano, obra do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, apontou que a medida é injusta e que o governo federal recebeu com indignação a proposta do USTR. Segundo ele, a União vai trabalhar para que as taxas não avancem. “O caminho do diálogo já vinha ocorrendo. Mas sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores, prejudicam e colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público”, ressaltou Alckmin.

Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência, atribuiu ao petista a culpa pela possibilidade de novas cobranças. “A realidade é que essa tarifa é do Lula. Pelo seu tom agressivo com os Estados Unidos, seu discurso antiamericano, por defender que o dólar deixe de ser a moeda padrão nas relações internacionais”, afirmou em vídeo divulgado ontem. Ele declarou que, durante as três reuniões que teve com Trump, defendeu o setor produtivo. 

Flavio afirmou que escreveu uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que os EUA poupem o Brasil do tarifaço.




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