8º GB Fundado em 1966, o 8º GB reúne profissionais de diferentes épocas, mas que compartilham a missão de salvar e proteger vidas na região
FOTO: André Henriques/DGABC

“É um trabalho que não para. Um dia você está em salvamento, outro em incêndio ou em mata. Não tem rotina.” A fala do soldado Lucas Ribeiro, 27 anos, resume o sentimento de quem acaba de chegar ao Corpo de Bombeiros. Há apenas cinco meses atuando oficialmente na corporação, o jovem vindo de Bangu, no Rio de Janeiro, representa a nova geração que começa a escrever sua história no 8º GB (Grupamento de Bombeiros), responsável pelo atendimento das sete cidades.
Do outro lado da trajetória está o tenente aposentado Cleiton Carlos, 53, que encerrou a carreira em 2025 após mais de 31 anos de serviços prestados. O veterano, que atuou em centenas de ocorrências de grande complexidade, acompanhou a evolução do Corpo de Bombeiros ao longo de três décadas.
As histórias dos dois se encontram justamente no momento em que o 8º GB completa 60 anos de atuação. Fundado em maio de 1966, o grupamento surgiu para atender à crescente demanda da região industrializada e para reduzir a dependência da Capital nos atendimentos de incêndio e salvamento. Antes, as ocorrências eram direcionadas para a Terceira Companhia sediada no Cambuci, na Capital, e o deslocamento até a região levava cerca de 40 minutos.
No início, o efetivo era formado por apenas 23 bombeiros: um tenente, três sargentos, quatro cabos e 16 soldados. Hoje, seis décadas depois, com 377 bombeiros, o 8º GB, com sede em Santo André, é uma das unidades mais tradicionais do Estado.
Como atua em uma região com extensas áreas de Mata Atlântica, a corporação realiza operações em locais como Paranapiacaba, a Represa Billings e importantes vias da região, entre elas as rodovias Anchieta, Imigrantes e Índio Tibiriçá. Além dessas atividades, o atendimento a ocorrências de incêndio também faz parte da rotina. De acordo com dados do Corpo de Bombeiros, o Grande ABC registrou 1.109 incêndios em 2025, o que representa uma média de três ocorrências por dia.
Foi justamente em Paranapiacaba que o soldado Lucas Ribeiro viveu uma das experiências mais marcantes do início da carreira. O jovem participou do resgate de pessoas perdidas em uma trilha durante a noite. “Foram 14 km de caminhada. Consegui localizar o pessoal e você vê a gratidão deles. Isso marca muito”, contou.
O bombeiro afirma que encontrou no ofício um propósito depois de sete anos atuando na FAB (Força Aérea Brasileira). “Conheci a profissão, gostei do objetivo do trabalho e quis seguir carreira. Aqui no Corpo de Bombeiros você recebe motivação para estudar, se aperfeiçoar e evoluir.”
O tenente aposentado Cleiton Carlos também não imaginava que seguiria esse caminho. Segundo ele, ser bombeiro nunca foi um sonho de infância. O ingresso na corporação aconteceu em 1994, depois de tentativas de seguir carreira militar na Marinha. “Fui vendo que o serviço de bombeiro tinha tudo a ver comigo. Era adrenalina, aventura e salvamento. Abracei a profissão de coração”, relembra.
O veterano relembrou histórias que marcaram sua trajetória, como o resgate de um cachorro encontrado vivo após quatro dias preso em um poço e uma ocorrência de afogamento que terminou com o pai da vítima oferecendo todo o dinheiro que tinha para agradecer os bombeiros. “Vivemos a vida das pessoas. Aprendemos com a dor delas, com os traumas e as histórias. Não tem como sair igual depois disso”, disse.
Para a nova geração, ele deixa um conselho. “Essa é uma profissão de vocação. Tem dias de frio, fome, cansaço e sofrimento. Mas no final vale a pena. Tudo isso ajuda a forjar quem você se torna.”
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