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Centro de Especialidades agiliza tempo e zera filas em Rio Grande da Serra

Inaugurado em outubro de 2025, unidade realiza média de 1.065 consultas por mês

31/05/2026 | 11:25
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André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Ceme (Centro Médico e de Especialidades) de Rio Grande da Serra surgiu para suprir uma necessidade dos moradores, que antes precisavam se deslocar cerca de 40 minutos para realizar uma simples consulta em outra cidade. Inaugurado em outubro de 2025, o equipamento realizou 7.457 consultas até maio deste ano, média de 1.065 atendimentos por mês.

Integrada ao SUS (Sistema Único de Saúde), a unidade passou a oferecer consultas em cardiologia, dermatologia, ginecologia, nutrição, ortopedia e pediatria, além de exames de ultrassonografia e laboratoriais.

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A gestora do Ceme, Simone Barbosa Costa do Nascimento, afirmou que a inauguração representou uma melhora na qualidade de vida da população. “A principal importância foi garantir um atendimento humanizado, reduzindo a necessidade de os moradores se deslocarem para outras cidades para realizar consultas e exames. Além disso, conseguimos diminuir as filas e o tempo de espera”, afirmou.

Além das especialidades médicas, o centro passou a realizar mamografias, eliminando uma fila de 200 pacientes que aguardavam pelo exame, antes indisponível no município. Com o Ceme, Rio Grande da Serra ampliou a rede de atendimento voltada à saúde da mulher.

“O centro médico contribuiu para fortalecer a promoção da saúde da mulher ao oferecer consultas ginecológicas, exames preventivos, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. Antes, dependíamos da central de vagas e fazíamos o possível para agendar os exames. Hoje, com a mamografia disponível no município, a procura aumentou e não há mais fila”, destacou Simone.

A autônoma Amanda de Oliveira Souza, 27 anos, está prestes a ter o segundo filho e realiza todo o acompanhamento pré-natal na cidade, o que facilita sua rotina e reduz gastos com deslocamento.

“A gestação é um momento sensível. Minha gravidez é de alto risco por causa de uma inec˜ção. Hoje estou mais tranquila, pois realizo consultas, exames e retiro medicamentos aqui mesmo”, contou.

Já a dona de casa Nara Raquel Ribeiro, 52, moradora do município, faz acompanhamento periódico com o médico da família.“Sinto muitas dores, náuseas e dores de cabeça por causa de uma fibromialgia. É muito bom ser bem atendida na própria cidade”, disse.

Para outras especialidades, o município ainda realiza encaminhamentos para Santo André, Diadema e Mauá.

Para o prefeito de Rio Grande da Serra, Akira Auriani (PSB), a abertura do Ceme representa a essência do SUS. “Não se trata apenas de mobilidade, mas de respeito à nossa população. É muito ruim depender sempre de serviços oferecidos fora da cidade. Nada melhor do que ver esses atendimentos acontecerem aqui, com responsabilidade e acolhimento para todos”, afirmou.

UNIDADES

De acordo com a Secretaria de Saúde, o orçamento da Pasta é de R$ 80 milhões neste ano. Em Rio Grande da Serra, a rede municipal conta com oito UBSs (Unidades Básicas de Saúde), uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e um Caps (Centro de Atenção Psicossocial).

Entre junho e dezembro de 2025, as unidades básicas registraram 17.686 atendimentos. Os dados anteriores não estavam disponíveis devido à ausência de sistema eletrônico.

Uma base do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), a primeira da cidade, foi instalada anteontem para reduzir o tempo de resposta em ocorrências. Antes, o município dependia exclusivamente da estrutura de Mauá.

VIDAS DO SUS

Esta é a sétima reportagem da série que apresenta boas práticas do SUS na região. No próximo domingo (7), será publicada a última.

Programa de maternidade atende 81 gestantes

O programa Mãe Riograndense, lançado em maio de 2025, já acompanhou 81 gestantes do município. A iniciativa foi idealizada pelo Fundo Social de Solidariedade em parceria com a Secretaria de Saúde.

Para apoiar as futuras mães, o programa fornece kits de maternidade com banheiras, fraldas, mamadeiras e produtos de higiene. No entanto, a iniciativa vai além da entrega de itens para os cuidados com o bebê. O Mãe Riograndense foi criado com o objetivo de garantir atendimento integral e humanizado às gestantes, além de promover a saúde dos recém-nascidos.

“Sabemos o quanto é desafiador ser mãe e mulher. Esse programa surgiu para acolher e cuidar também da saúde mental dessas mulheres. Há todo o acompanhamento pré-natal realizado pelas agentes de saúde e, posteriormente, cursos de capacitação para as participantes”, afirmou a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Letícia Auriani.

A ação também prevê consultas odontológicas e, após o nascimento do bebê, a realização de visitas domiciliares pelas equipes municipais.

A auxiliar administrativa Michelle Alves dos Santos, 31 anos, deu à luz seu terceiro filho, Anthony Rodrigo Silva, há duas semanas. Ao lado do companheiro, Erick Rodrigo Silva, 26, ela foi contemplada pelo programa e realizou o acompanhamento da gestação no Ceme.

“Foi muito acolhedor. Desde o início, já agendaram consultas com o médico da família. Quando descobri a gravidez, foi um choque, porque já tinha outros dois filhos. Mas o acompanhamento foi muito tranquilo, com ultrassonografias, exames morfológicos e exames de sangue”, relatou.

Apesar de o município não contar com maternidade, o programa oferece suporte às moradoras durante toda a gestação e fortalecer o vínculo com a rede de saúde. 

Vigilância Sanitária do município atua na prevenção de riscos à saúde

Com o objetivo de centralizar e fortalecer as ações de proteção à saúde da população, a Vigilância Sanitária passou a integrar o SUS a partir da regulamentação do sistema pela legislação federal. Sua atuação está baseada na fiscalização, no controle de normas sanitárias e na prevenção de riscos à saúde, abrangendo questões relacionadas ao meio ambiente, estabelecimentos comerciais e diversos serviços.

Uma das principais atribuições do setor é realizar inspeções e garantir o cumprimento das normas previstas na legislação sanitária. Segundo a Secretaria de Saúde de Rio Grande da Serra, foram realizadas 1.545 fiscalizações em 2025. A diretora da Vigilância Sanitária do município, Mônica Goulart, afirmou que a área está entre as mais estratégicas do sistema de saúde.

“A Vigilância Sanitária tem papel fundamental na proteção da saúde, atuando diretamente na fiscalização e no controle de produtos, serviços e estabelecimentos que podem representar riscos à população.No SUS, trabalhamos de forma integrada com o Estado e o governo federal”, destacou a gestora.

Como cerca de 66% do território de Rio Grande da Serra é coberto por vegetação, o serviço ganha ainda mais relevância na promoção da saúde e na prevenção de doenças.<TB>“A Vigilância atua na prevenção e no controle de doenças transmitidas por vetores e animais, como dengue e leptospirose. Além disso, realiza o monitoramento de áreas de risco ambiental, incluindo regiões sujeitas a enchentes e locais com descarte irregular de resíduos,” diz Mônica.

O setor também participa de campanhas de vacinação e desenvolve ações de conscientização ambiental. “Nosso foco é proteger, e não punir. Queremos prevenir doenças e contribuir para a saúde”, afirmou Mônica.” 

Secretaria estuda captar recursos para Centro TEA

O secretário de Saúde de Rio Grande da Serra, Felipe Vieira Sá dos Santos, destacou que a cidade estuda implementar um centro especializado para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) nos próximos anos.

Segundo o gestor, a proposta ainda está em fase inicial de elaboração, mas surgiu a partir de uma demanda crescente observada em toda a região. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 1,2% da população da cidade é composta por pessoas com autismo.

“Estamos estudando, mas ainda é uma coisa distante. Um Centro TEA tem um custo enorme; não posso pintar uma parede e abrir as portas. Preciso de um neuropediatra, fonoaudiólogo (e outros)”, disse Santos. “Para executar, precisamos de dinheiro, mas antes preciso ter o projeto pronto, para assim ir atrás de deputado, governo estadual, federal ou do próprio Ministério da Saúde”, acrescentou o secretário.

Atualmente, pessoas com TEA e moradoras da cidade são atendidas pela Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) do município, encaminhadas para outra cidade da região.

“Identificamos no município a crescente necessidade desse atendimento especializado. Precisamos ter cuidados tanto com o paciente (criança), quanto com a mãe”, falou Santos.

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