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Batata frita pode causar câncer?

Especialistas explicam o que há de verdade ou mito nessa associação e dão dicas para um preparo saudável

30/05/2026 | 14:26
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O consumo de batata frita é um hábito comum, tanto que ela tem até uma data para celebrá-la, no dia 30 de maio. Porém, frequentemente cercado de dúvidas alarmistas e uma das mais comuns é: afinal, um dos petiscos favoritos do mundo pode causar câncer? 

De acordo com o chefe de oncologia da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Raphael Brandão, a preocupação principal não é a batata em si, mas uma substância chamada acrilamida.

Essa substância se forma através da "Reação de Maillard", que ocorre quando alimentos ricos em amido são submetidos a temperaturas superiores a 120ºC. A IARC (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer) classifica a acrilamida como um provável carcinógeno humano (Grupo 2A).

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"Embora estudos definitivos em humanos ainda sejam complexos, em modelos animais a substância demonstrou capacidade de danificar o DNA. O risco é cumulativo e depende da frequência e da quantidade de exposição ao longo da vida", explica o chefe de oncologia.

Pelo ponto de vista nutricional, o impacto do consumo frequente de batatas fritas especialmente as ultra processadas e as comercializadas em redes de fast-food, vai além da acrilamida. 

Isso porque o excesso de calorias, sódio e gorduras, associado a um padrão alimentar desequilibrado, pode favorecer ganho de peso e alterações metabólicas. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), a obesidade está associada ao aumento do risco para diferentes tipos de câncer, além de outras doenças crônicas. 

“Nenhum alimento isoladamente determina o desenvolvimento de câncer. O problema está no consumo frequente e excessivo dentro de uma rotina alimentar desequilibrada. Quando consumidas em excesso, batatas fritas podem contribuir para processos inflamatórios, aumento da ingestão calórica e prejuízos metabólicos”, explica a nutricionista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Ana Paula Leal da Costa. 

Ela também ressalta que fatores como tipo de óleo, reutilização da gordura e escurecimento excessivo durante o preparo podem aumentar a formação de compostos potencialmente prejudiciais. 

Dicas para uma batata frita mais saudável

A nutricionista dá algumas orientações para quem não quer excluir a batata do cardápio: 

- Observe a cor da batata: Prefira batatas fritas ou assadas com coloração amarelo-dourada. Evite partes muito escuras ou queimadas, que concentram maiores níveis de acrilamida. 

- Deixe as batatas de molho antes do preparo: Manter as batatas em água por cerca de 30 minutos antes do preparo ajuda a reduzir parte dos açúcares livres responsáveis pela formação da acrilamida. 

- Armazene corretamente: Evite guardar batatas cruas na geladeira. O frio aumenta a concentração de açúcares, favorecendo a formação da substância durante a fritura. O ideal é armazená-las em local fresco, seco e arejado. 

- Prefira métodos alternativos de preparo: Preparações no forno ou na Air Fryer podem ser alternativas interessantes, desde que o tempo e a temperatura sejam controlados para evitar escurecimento excessivo. 

“Uma porção ocasional de batata frita, preparada adequadamente e inserida em um contexto de alimentação equilibrada, não deve ser encarada como um problema. O mais importante é a frequência de consumo e a qualidade global da dieta”, conclui a nutricionista.


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