Memória Hoje, sábado, final de maio, começam as quermesses no mais antigo largo urbano do Grande ABC, a Matriz de São Bernardo, e em quantas paróquias mais?
Crédito das fotos 1 – Criação: Vanderlei Retondo

Nesta crônica, saborosíssima, Vanderlei Retondo inspira Memória a pautar você, leitor: junho se aproxima, qual a festa junina mais marcante da sua vida, que foto você guardou, que fogueira você saltou? Escreva. Memória agradece. Quanto a você, cronista de Santo André, outro show de memória e criatividade.
LAMARTINE BABO
Chegou a hora da fogueira!
É noite de São João...
O céu fica todo iluminado
Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de balão...
FESTA JUNINA, BALÕES, LÁPIS... A REFINARIA
Vanderlei Retondo
De origem pagã e posteriormente cristianizada, a festa junina é uma homenagem a três santos no mês de junho: Santo Antonio, São João e São Pedro, sendo muito populares no interior do Brasil, onde as comunidades católicas às comemoram em quermesses promovidas pelas igrejas locais.
Os migrantes, que vieram em busca de melhores oportunidades de trabalho nos grandes centros industriais, trouxeram com eles essa cultura.
Minha família morava em um bairro operário em formação, a Vila Assunção, em Santo André. Meu pai, oriundo de São João da Boa Vista, São Paulo, trabalhava na Pirelli e minha mãe, migrante de Santo Antonio da Alegria, também em São Paulo, na extinta Tecelagem SILVA & SEABRA, conhecida como Ipiranguinha.
Ambos participavam juntamente com outros moradores, das quermesses promovidas pela igreja Matriz de Santo André como manda a tradição cristã.
13 de junho a festa era em homenagens a Santo Antonio, o santo casamenteiro, muito lembrado pelos solteiros através de uma simpatia popular. O rito consistia em colocar uma pequena imagem do santo de cabeça para baixo em um copo com cachaça com o objetivo de arrumar casamento. Sempre senti pena do santo e do pequeno Menino Jesus em seus braços, se afogando na cachaça.
24 de junho era a vez de São João Batista, considerado santo festeiro, data em que as pessoas comemoravam seu nascimento. Curiosamente, é um dos poucos santos cujo nascimento é celebrado, visto que a Igreja geralmente celebra o dia da morte dos santos.
E finalmente 29 de junho, dia de São Pedro, reconhecido como o primeiro Papa, fundador da Igreja Católica e porteiro do Reino do Céu. Nas aulas de catecismo para a primeira comunhão, aprendíamos que somente sem pecados São Pedro nos deixaria entrar no Céu.
Mas tudo isso para mim não importava, o que eu queria mesmo era curtir as brincadeiras. Tinha a dança da quadrilha, a barraca do correio elegante, onde os jovens enviavam cartas românticas a outros jovens solteiros, a barraca do quentão, onde as crianças não ousavam chegar perto.
O entorno da igreja era todo enfeitado com bandeirinhas coloridas. Tinha a fogueira, onde se assava batata doce em suas brasas, tinha pipoca na manteiga e doces, como paçoca e o pé de moleque, que vim saber depois, nada tinham a ver com o pé do moleque, mas sim com um conto onde a origem do nome "pé de moleque" pode estar relacionada a moleques que roubavam doces vendidos na rua e foram repreendidos pela vendedora com a frase: “Não precisa roubar, “pede, moleque”, que eu dou”.
Além dessas atrações, tinha também o pessoal que gostava de soltar fogos de artifício. Rojões, caramuru de três tiros e bombas de menor impacto espocavam a todo o momento. A turma dos balões era um caso à parte: sua fabricação demorava dias, o formato variava de acordo com o gosto de quem o fabricasse e eram feitos com papel de seda e cola. Com suas tochas recheadas de breu, envoltas em estopa e embebidas em querosene, subiam ao céu soltando gotas incandescentes, provocando certa correria em quem estivesse assistindo.
Nas escolas também havia certa comemoração, não tão empolgante, mas instrutiva. No Grupo Escolar Professora Hermínia Lopes Lobo durante meu curso primário e na época da festa junina, compareciam funcionários da Refinaria de Capuava, empresa recentemente inaugurada na região, para nos alertar sobre o perigo de soltar balões. Estes poderiam incendiar residências, indústrias e até a própria refinaria se lá caíssem! Ao final da explanação, recebíamos lápis com os dizeres: “MENINO! NÃO SOLTE BALÕES!”.
Mas, com um sorriso maroto nos lábios raspávamos o “NÃO” do lápis.

Crédito das fotos 1 e 2 – Criação: Vanderlei Retondo
ARTE DE MENINOS. Vocês lembram? Vocês faziam isso? Vocês soltavam balões? Que perigo, amigo...
NAS ONDAS DO RÁDIO
Todas as Copas.
Capítulo 8.
A Era Telê.
1982-1986.
Grandes jogos.
Excelentes jogadores.
Porém...
Texto: Milton Parron
O oitavo programa Memória reproduzindo gols, lances decisivos, convocações e preparativos da nossa seleção em todos os mundiais de futebol, desde 1930 no Uruguai até 2022 no Catar, focalizará a atuação de nosso selecionado sob a direção técnica do festejado Telê Santana.
Foram dois mundiais nos quais fomos bem representados, mas, infelizmente, voltamos para casa sem títulos, muito embora a impressão deixada em gramados da Espanha, em 1982, e do México em 1986 tenha sido das melhores.
Em ambas as competições acumulamos vitórias expressivas e nos dois certames perdemos quando ninguém esperava, muito menos o narrador da Rádio Bandeirantes, o saudoso Fiori Gigliotti.
O Brasil foi surpreendido pela derrota para a Itália em 1982, quando um simples empate nos classificaria para a fase seguinte, e pela França nas penalidades, em 1986, resultados que nos custaram muito caro.
Fomos despachados de ambos os mundiais. Os referidos jogos foram narrados por Fiori que no final da irradiação não conteve as lágrimas. Sua emoção juntou-se à de milhões de torcedores aqui no Brasil.
Memória - Produção e apresentação: Milton Parron. Rádio Bandeirantes, agora nos 107.3. Amanhã, às 7h; sexta-feira, às 23h. Disponível nas principais plataformas digitais, no Spotify e no Apple Podcast.

Crédito da foto 3 – Livro: Mauro Beting e Paulo Rogério
LÁGRIMAS NAS COPAS. A emoção de quem ia além das irradiações
DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO
Domingo, 30 de maio de 1976 – nº 2763
MANCHETE – Brasil defende na ONU livre arbítrio para a natalidade.
MEMÓRIA – A História dos Bairros. Na oitava reportagem da série, Vila Baeta Neves, em São Bernardo
MUNICÍPIOS BRASILEIROS
No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Palestina, São Joaquim da Barra e Valparaíso.
São Joaquim da Barra foi elevado a município em 1917, quando se separa de Orlândia. Como povoado foi fundado em 30-5-1898.
Pelo Brasil, aniversariam em 30 de maio: Barracão, Santo Augusto (RS), Conceição do Araguaia (PA), Descoberto, São Felix de Minas (MG), Mâncio Lima (AC)
HOJE
Dia do Geólogo e do Decorador.
São José Marello
30 de maio
(Turim, 1844 — Savona, 1895). Bispo italiano. Fundador da Congregação dos Oblatos de São José. Lembrado por sua dedicação aos jovens e às famílias.
Ilustração: Oblatas de São José, Curitiba (Paraná)
Arte: Paulo César Nunes PENSAMENTO “A sabedoria vem de escutar; de falar vem o arrependimento”.
Provérbio italiano
Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, 2026
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