Feminicídio Kevin Soares foi sentenciado pelo feminicídio de Kaylane Bispo Velo em setembro de 2025; defesa alega disparo acidental
FOTO: Reprodução

O Tribunal do Júri condenou, nesta terça-feira (26), Kevin de Lima Santana Soares, a 26 anos e oito meses de prisão pelo feminicídio da namorada, Kaylane Bispo Velo, 22, morta em setembro de 2025, em São Bernardo.
O julgamento ocorreu no Fórum da cidade, e a decisão ainda cabe recurso. A sentença determinou o cumprimento da pena em regime inicial fechado. Durante a leitura da condenação, o réu permaneceu em silêncio, de cabeça baixa e escoltado por dois policiais penais, postura mantida ao longo de todo plenário.
Kaylane foi morta na madrugada de 22 de setembro de 2025, na casa do namorado, na Vila São Pedro. O casal mantinha relacionamento há quatro anos. Segundo a Polícia Militar, vizinhos acionaram a corporação por volta das 3h50 após ouvirem um pedido de socorro e um disparo de arma de fogo.
Três dias antes do crime, em 19 de setembro de 2025, Soares, 26 anos, foi solto após passar por audiência de custódia. Ele havia sido preso em flagrante na Estrada dos Alvarengas, conduzindo um carro roubado e com um celular com registro de roubo. Na ocasião, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva, mas a Justiça concedeu liberdade provisória mediante medidas cautelares.
Na sentença, o juiz Fernando Martinho de Barros Penteado, informou que os jurados reconheceram o feminicídio consumado com a causa de aumento do recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena-base foi fixada em 20 anos de prisão e aumentada em um terço, chegando a 26 anos e oito meses de reclusão.
Durante o julgamento, o réu reforçou que o disparo teria sido acidental. Em depoimento, disse que entrou em choque ao ver Kaylane caída e que pediu ajuda para socorrê-la.
A mãe da vítima, a cuidadora Cintia Aparecida Soares de Lima Bispo, 45, se emocionou diversas vezes ao longo da sessão e precisou ser amparada por familiares. Um dos momentos de maior comoção ocorreu quando imagens de Kaylane morta na cozinha da residência foram exibidas no plenário.
Após a sentença, Cintia desabafou e disse que a sentença representa um alívio parcial para a família. “Aquece um pouco o coração, mas nada vai trazer ela de volta. A gente esperava até mais (tempo da pena). Prometi que nunca pararia de lutar até trazer justiça e hoje conseguimos”, declarou.
“É difícil falar da Kaylane. Poderia falar mil coisas dela, mas por conta do ambiente e da situação, não consegui. Hoje a família está com o coração um pouco mais quente”, completou a mãe.
NO TRIBUNAL
A defesa sustentou durante o julgamento a tese de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A advogada do condenado, Edileia Gonçalves de Macedo, relatou que o disparo ocorreu de forma acidental enquanto o réu manuseava a arma.
“A defesa trabalha com a tese de homicídio culposo porque foi um acidente. Nós trabalhamos justamente porque essa é a verdade”, disse.
Segundo a advogada, Soares não sabia que a arma estava municiada e não pretendia matar Kaylane. “Ele foi imprudente, inconsequente, irresponsável, mas não queria o resultado morte”, reforçou Edileia. Na saída do Fórum, a advogada informou que vai recorrer da condenação e pedir a invalidação do júri.
Do outro lado, a promotora de Justiça substituta de São Bernardo, Isadora Maria Gomes de Almeida, afirmou que o Ministério Público teve as teses aceitas pelo júri. “O Ministério Público sustentou todas as teses que foram submetidas ao julgamento e os jurados acolheram integralmente”, declarou. A promotora disse ainda que o órgão vai analisar a sentença para avaliar um possível recurso de pedido de aumento da pena.
“O Ministério Público ainda não teve acesso à integralidade da sentença, mas eventualmente, se entendermos que cabe uma pena mais alta, recorreremos”, concluiu Isadora.
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