
Os ministros de 35 países tentavam nesta terça-feira aproximar Estados Unidos e Índia para evitar que o tema da proteção dos mercados agrícolas de países em desenvolvimento provoque o naufrágio definitivo das negociações multilaterais de livre comércio.
Vários ministros destacaram ao chegar à reunião na sede da OMC (Organização Mundial de Comércio) em Genebra os riscos de que este dia – o nono consecutivo de negociações exaustivas – acabe sem uma solução de compromisso.
"Vejo as coisas por um fio. Se não for resolvido (a questão das salvaguardas pedidas pela Índia) isso acaba", disse à AFP o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Amorim pediu a todas as partes que "assumam riscos, políticos inclusive", para salvar a Rodada de Doha, "porque se isso acabar agora, francamente não vejo como se possa retomar dentro de dois ou três meses, seria uma total ilusão".
O comissário de Comércio da EU (União Européia) também destacou a necessidade de "um compromisso entre as duas partes, ou seja, Estados Unidos e Índia e outros países em desenvolvimento".
"Se não mostrarem a vontade de compromisso, temo que o acordo caia, a perspectiva é espantosa", disse Mandelson à imprensa.
O ministro indiano do Comércio Kamal Nath não pareceu particularmente pressionado ao chegar à sede da OMC. "Esta noite tive ótimos sonhos. Estou otimista", comentou a jornalistas, e acrescentou: "os Estados Unidos tentam favorecer seus interesses comerciais, eu tento proteger a vida e a segurança dos agricultores".
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