Handebol
Ricardo Trida/DGABC

Acabou o sonho do Brasil de conquistar medalha inédita no Mundial de Handebol Feminino. A campanha irrepreensível até então, com seis vitórias seguidas, foi interrompida pela Espanha, nas quartas de final. A derrota por 27 a 26, ontem à noite, no Ginásio do Ibirapuera, tirou as brasileiras das semifinais. Resta agora a disputa do quinto lugar que começa amanhã (14h30), diante da Croácia, no mesmo local.
Apesar do apoio dos quase 7.000 torcedores que lotaram o Ibirapuera, o Brasil começou desligado o duelo. A defesa estava desatenta e as duas melhores jogadoras da equipe, a goleira Chana e a ponta Alexandra, não repetiam as boas atuações de outros jogos. Assim, a Espanha rapidamente abriu 6 a 1 no placar.
Foi então que surgiu outra candidata a protagonista: Deonise, eleita a melhor jogadora em quadra. Com quatro gols consecutivos, a armadora recolocou o Brasil no jogo. O técnico dinamarquês que comanda a Seleção, Morten Soubak, usou constantemente as jogadoras reservas e, assim, equilibrou o duelo.
A exemplo das brasileiras, as espanholas sentiam cansaço, mas o nível técnico se mantinha alto e o primeiro tempo terminou com vitória das europeias por 19 a 17.
A segunda etapa foi bem mais truncada. As defesas voltaram mais agressivas e o volume de jogo diminuiu. O Brasil esboçou reação e chegou a virar o placar em 21 a 20, mas não deslanchou. A Espanha também não encaixava bons ataques e o jogo permanecia indefinido.
Restando um minuto, a goleira Chana fez defesa espetacular e deixou o Brasil em boas condições. Por falta de experiência, porém, o time forçou jogada, perdeu a bola e sofreu contra-ataque decisivo, que determinou a vitória da Espanha.
OUTROS CLASSIFICADOS - Nos outros três jogos de ontem, no Ibirapuera, o resultado mais surpreendente foi no duelo mais empolgante. Visivelmente mais cansada, a Rússia, atual tricampeã mundial, não suportou o forte ritmo da França e deu adeus ao sonho do quarto título consecutivo. A derrota por 25 a 23 foi troco das francesas, que perderam a final da última edição do Mundial, em 2009, justamente para as russas.
No segundo duelo do dia, a Dinamarca espantou a zebra e também se garantiu nas semifinais. Com handebol mais técnico, a equipe europeia fez 28 a 23 e passou sem sustos pela surpreendente Angola, que venceu os últimos sete campeonatos africanos. Com os resultados, Dinamarca e França fazem uma das semifinais.
Fechando a próxima fase, deu a lógica no duelo Noruega x Croácia. Favoritas ao título, as norueguesas, empurradas por mais de 300 torcedores, venceram por 30 a 25 e agora pegam as espanholas.
Jogadoras não resistem e vão às lágrimas
Era indisfarçável a tristeza das brasileiras após o jogo. Ao contrário das outras temporadas, quando a derrota não chegava a surpreender, desta vez elas sabiam que tinham condições de vencer. Por conta disso, a maioria concedeu entrevista com os olhos cheios de lágrimas, algumas sem condições de falar, mas todas com a certeza de que decepcionaram o público que encheu o Ginásio do Ibirapuera.
Uma das jogadoras mais aclamadas pelos torcedores, a goleira Chana tentou explicar a derrota. "É difícil falar alguma coisa neste momento. Sabíamos que tínhamos boas condições, mas nosso ataque errou demais e isso comprometeu a atuação da equipe", lamentou ela. "Mas não é essa derrota, por apenas um gol para a Espanha, que vai apagar tudo de bom que fizemos na competição."
Outra jogadora que estava aos prantos era a ponta Alexandra, um dos destaques do Brasil no Mundial. Ela assumiu os erros e lamentou que a Seleção não tenha conseguido evoluir durante a competição. "Erramos em todos os jogos, mas das outras vezes conseguimos nos recuperar durante os jogos. Sabíamos que desta vez não poderia acontecer, mas aconteceu e o resultado todos nós conhecemos", ressaltou.
O dinamarquês Morten Soubak, técnico do Brasil, foi ainda mais incisivo ao dar explicações. "Foi uma decepção muito grande o que aconteceu. Tínhamos grandes chances de vencer, mas não conseguimos concluir a última jogada. A partida foi decidida nos detalhes e a Espanha errou menos, por isso ganhou", avaliou. "Essa pressão de obter a melhor campanha em casa fez mal às jogadoras. O início ruim foi determinante para o resultado final."
FUTURO - Apesar de inconsoláveis, as brasileiras garantiram que terão forças para superar o sétimo lugar obtido no Mundial de 2005, na Rússia. Para isso, o Brasil terá de vencer a Croácia, amanhã, às 14h30, e depois derrotar o vencedor do duelo entre Angola e Rússia.
Caso consiga, o Brasil terminará a competição em quinto lugar. "Agora não adianta lamentar. Temos de sacudir a poeira, levantar a cabeça porque temos jogo contra a Croácia. Não era o que desejávamos, mas é o que resta e temos de ir com tudo para conseguir o melhor resultado do Brasil em Mundial", disse Alexandra.
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